Escrevo estas novidades tardiamente porque durante quase toda a semana estive ocupada com a chegada e estadia de um amigo da Rússia.
Ele veio de Togliatti (14 horas de Moscou) e desembarcou no aeroporto de Guarulhos, às 20:40. Meus pais e eu fomos buscá-lo. Fiquei muito ansiosa enquanto esperava na "International Arrival" porque via sair muita gente (entre eles brasileiros, russos e espanhóis, porque a companhia pela qual ele vôou - Ibéria - é espanhola e fez escala em Madri), exceto ele!
Em frente ao portão de desembarque as pessoas seguravam placas com os nomes dos passageiros, assim como nos filmes. Não levei placa nenhuma porque sou boa fisionomista ;)
Finalmente surgiu Yaroslav, a quem chamei pelo nome antes que ele se perdesse. Nos abraçamos como se fôssemos já velhos conhecidos. Tenho certeza de que para ele foi bom ter visto um rosto familiar num país estrangeiro.
Posso dizer que ele é realmente "muito russo"! Tanto na aparência como nos gestos (apesar de que não conheço bem os russos, só ouvi falar e os vi em filmes. Na verdade, os avós dos meus primos são russos, isso conta, não?).
Yari, como eu o chamo, é bem educado, amigável e simples. Me trouxe alguns presentes, os quais me deixaram muito feliz, porque eu não esperava: um Platki vermelho (espécie de lenço de 148cm x 148cm que as mulheres usam no frio), uma garrafa de Vodka bastante popular na Rússia, a Matreshka (bonequinha russa que traz várias outras menores dentro de si) e umas sementes comestíveis, Kedrovy (no singular), cuja árvore se parece com o pinheiro (pretendo colocar fotos aqui).
Infelizmente não tivemos muito tempo juntos porque não pude faltar ao trabalho, mas no nosso tempo livre caminhávamos pelos parques e fazíamos o necessário como trocar o dinheiro dele, comprar um ship brasileiro para o celular etc.
Como ele teria de andar sozinho, compramos um mapa de São José dos Campos (o que pensei que nem existia), mas era ridículo, de tão grande, e o próprio Yaroslav disse que aquilo é para estudantes colocarem na parede, não para um turista hehe.
Na quarta-feira ele foi com meus pais me buscar no trabalho e de lá fomos ao Wal Mart comprar umas coisas para comer. Nesse momento tivemos dificuldade para encontrar dois produtos: uma "coisa" feita com carne e que se parece com salame mas não é salame e um creme feito com leite mas que não era nem requeijão e nem creme de leite. Yari não sabia como me dizer em inglês o que queria e eu também não entendia. Talvez o tal creme nem seja fácil de ser encontrado aqui. Também não achamos "black pepper" e no lugar disso levamos páprica (o que não é lá muito saboroso). Usamos isto para preparar uma salada, que acompanha a Vodka. Ele explicou que aquilo não era um jantar, com "comida de verdade", só um acompanhamento para a Vodka, que de tão forte não pode ser bebida sozinha (aqui a gente bebe Vodka como se fosse refrigerante ou suco, usa um copo grande etc. Pelo que entendi, para eles é um aperitivo, não algo que se possa tomar litros e litros). Entendi que para se tomar Vodka há um ritual, a começar pelo brinde (brindamos ao Brazil). Depois do primeiro gole você pode fazer o que quiser, como continuar comendo, não beber mais, dançar etc, mas isso só depois de ter bebido a primeira vez.
Tivemos realmente uma noite russa. Ouvimos "The River Flows Volga", de Ludmila Zykina (em russo Людмила Зыкина - Течет река Волга), uma canção um pouco triste que mais remetia ao sentimento de saudade, nostalgia de tempos já vividos (coisa de filme ;)) Foi uma noite muito agradável.
Nós dormíamos relativamente cedo e acordávamos por volta das 7:00 am, para aproveitar o dia.
Yaroslav ficou impressionado com as árvores, que são muito grandes e de raízes largas. Até subiu numa delas em plena avenida João Guilhermino, o que atraiu a atenção de todo mundo que passava por baixo :D
Ele é muito espontâneo, gosta de contar histórias (anedotas, inclusive), é natural e sincero e, além disso, o que me chamou a atenção foi sua simplicidade :) Seguro ainda tenho o que aprender com ele :))
Similaridades: Togliatti, assim como SJC, é uma cidade industrial.
Os russos, como nós, gostam de piadas, passam por situações fora do comum e têm corrupção na política e na polícia.