Conto de Fim de Ano

29/12/09

São 22:23. Estou de calcinha sentada sobre uma cadeira desconfortável, a coluna torta, a janela da largura de uma parede completamente aberta, entra vento fresco, que sinto tocar minhas bochechas vermelhas pela cerveja. Estou bêbada.
O
caminho de volta não foi fácil: tropeçava no cimento desastrada, aquela perna manca, a direita, andei um pouco no meio da avenida Adhemar de Barros enquanto os carros vinham longe, faróis acesos, 60 quilômetros por hora por causa do limite de velocidade.
Eu
estava lá, com todas elas e um par de estranhos. Saí fora dizendo que “ia ali” e não voltei mais, dei um “migué” nelas, ao que ligaram para meu celular cinco ou sete vezes incansavelmente, meu celular faz um barulho de sapo quando toca, mas eu não atendi.
No caminh
o passei pelo Sesc, uma casa de cultura onde a gente encontra tanta gente moderna e (pseudo) intelectual. Estava tocando algo estilo mangue town e me aproximei como que atraída pelo som, mas não me deixaram entrar porque era preciso ter ingressos e eles custavam vinte reais cada um, - “faz tempo que começou?”, “sim, já vai acabar”, “ta legal, obrigada”, e fui embora. Cortei caminho pelo Parque Santos Dumont e senti uma vontade filha da puta de mijar. Quando me aproximei do banheiro uma criatura cuja idade não deduzi me disse que estavam colocando veneno no banheiro. – “veneno pra quê?”, “pra insetos”, “ah... espero que eu consiga chegar em casa porque estou muito apertada.”. Cerveja miserável... Tomei sem que estivesse verdadeiramente gelada.
Uma dú
vida ali, outra aqui, uma leve sensação de culpa, vontade de dormir e de fazer uma viagem longa o bastante para não mais fazer parte daqui e deste instante. Não quero vomitar, não quero paz.
Logo
a bebedeira vai passar e se estou ciente disso é que ela já está perdendo seu efeito, recupero aos bocados minha consciência... São 22:37, já se foi minha inspiração, sigo sonolenta e de bochechas quentes. Amanhã trabalho cedo e um novo ano já vai começar.
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# Online seit Dienstag, 29. Dezember, 2009 um 20:04

A queda de Tenochtitlán

Escrevi uma página sobre um livro que acabei de ler a respeito da conquista do México pelos espanhóis. A quem interessar aqui está o link:
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# Online seit Montag, 28. Dezember, 2009 um 18:44

.

O que vocês esperavam que acontecesse quando tiraram a mordaça que tapava essas bocas negras?
Esperavam que elas lhes lançassem louvores? E essas cabeças que seus avós e seus pais haviam dobrado à força até o chão?
O que esperavam? Que se reerguessem com adoração nos olhos?
Ei-los em pé. Homens que nos olham. Ei-los em pé. Faço votos para que vocês sintam como eu a comoção de ser visto.
Hoje, esses homens pretos nos miram e nosso olhar reentra em nossos olhos.
Tochas negras iluminam o mundo e nossas cabeças brancas não passam de pequenas luminárias balançadas pelo vento.

JEAN PAUL SARTRE
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# Online seit Freitag, 25. Dezember, 2009 um 14:29

Adalgisa

Adalgisa

# Online seit Sonntag, 20. Dezember, 2009 um 10:16

Chorai, ó Lusitânia.

Chorai, ó Lusitânia.
"Ser um marinheiro do mundo, destinado a todos os portos'".

E inalcançável.

# Online seit Sonntag, 13. Dezember, 2009 um 20:32

Geändert am Sonntag, 20. Dezember, 2009 um 10:18

Eles vão e eu fico

Meus pais vão viajar, finalmente.

Será preciso cavucar bem fundo a terra na qual estão fortemente enraizados para que até o dia da viagem nenhum deles diga "não vou mais".

Estou feliz por eles, mas gostaria de fazer parte disso também. Eles vão com o meu primo Bruno, que é um aventureiro nato e eu sei que ele sabe muito bem aproveitar Tudo...

Bem, gostaria de ir, mas sei que é a vez deles e, com a graça de Deus, também terei a minha, é só esperar que me "desliguem" (e pelo andar da carruagem posso esperar de pé, rs...).

Hoje mesmo dei uma olhada no Google Maps e pensei em quanto lugar existe pra gente conhecer, o percurso que ainda quero seguir, desde Brasil até Venezuela, quem sabe, e ainda há Israel e de súbito senti vontade de conhecer um país da África do Sul!

Inevitável não sentir o peito inflar enquanto penso nas aventuras todas, na gente tão diferente das que conheço, nos idiomas, nos lugares, nos cheiros das ruas que, tenho certeza, não se assemelham aos das ruas de São Paulo!!!

Ai, se eu fosse um pouco mais impulsiva jogava tudo para o ar e partia! Por isso é bom eu não ler Kerouac, Whitman, Jack London e outros desses caras nesse momento porque ainda preciso juntar mais dinheiro (na minha cabeça isso é ainda necessário, quero dizer, na minha cabecinha de filha única, burguesa e inexperiente ainda é preciso ACUMULAR mais...).

Oh, isto foi um desabafo. Desejo que meus pais experimentem aquele sentimento inigualável que senti quando cheguei sozinha, numa manhã de domingo, naquela cidade estranha e linda, onde fui tão feliz...

# Online seit Sonntag, 13. Dezember, 2009 um 20:05

Acho que sou religiosa

Nos últimos meses tenho pensado sobre religião e na importância que ela tem para mim e para a nossa sociedade. Não obtive avanço nas conclusões (quanto a isso, nada de novo).

Na verdade, foi inevitável lembrar da minha infância cristã (nenhuma crítica moral, ao menos por enquanto), quando "eu não era eu sem religião", digo, não havia separação entre a criança Ana Lígia e a Ana Lígia cristã, adventista do sétimo dia, especificamente.

Lembro que quando era pequena orava quando acordava para agradecer a noite de descanso, orava antes das refeições, antes de sair de casa e antes de dormir (senti um pouco de saudade daquela fase em que possuía certa inocência). E o principal: tudo que fazíamos em casa (minha mãe e eu, porque meu pai sempre se definiu "agnóstico") tinha em vista agradar a Deus, conforme nossa religião (embora neste instante eu admita a possibilidade de minha mãe querer agradar as pessoas da igreja que frequentávamos, dar bom testemunho etc).

A questão é que para muitos adeptos da religião, antes mesmo do Homem está o ansião, o pastor, o diácono, o regente do coro, o professor de lição da escola sabatina, enfim, a partícula que, junto das outras, é responsável pelo bom andamento da vida cristã. Para esses homens e mulheres não há simplesmente Homem e Mulher, acima de tudo, e sim, sempre, servos a serviço do Ser Maior.

# Online seit Samstag, 12. Dezember, 2009 um 10:21

Bocó

Detesto os títulos que escolho para meus textos ¬_¬'
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# Online seit Samstag, 12. Dezember, 2009 um 09:21

Geändert am Samstag, 12. Dezember, 2009 um 09:31

Uma das inúmeras coisas que se pode concluir sobre o Brasil

A "culpa" de o Brasil ser como é é do calor.

(Frase dita após um copo de cerveja numa tarde de 37ºC)

# Online seit Samstag, 12. Dezember, 2009 um 08:50

Geändert am Samstag, 12. Dezember, 2009 um 09:01