Este final de semana fui a uma locadora perto de casa onde a gente só encontra filmes que nunca veremos expostos nas prateleiras da Block Buster. A intenção era alugar Black Cat White Cat, do Emir Kusturica, cineasta sérvio, indicado por um amigo. Como não havia (parece que é um pouco raro, mas o São Google diz que existe traduzido para o português), acabei por escolher outro, do mesmo diretor, chamado A Vida é Um Milagre.
Com esse nome até parece filme americano água com açúcar, mas é uma comédia / drama cheia de histeria, situações anormais e cenas envolventes e ainda assim bastante normal para os padrões de Kusturica (palavras do meu coleguinha).
A Vida é Um Milagre (2004) conta a história de um engenheiro que se mudou com a família de Belgrado para um vila bósnia e lá deu início à construção de uma ferrovia (imagine as paisagens!).
Enquanto vive dias quase sempre iguais com sua mulher histérica cantora de ópera e o filho jogador de futebol, prestes a ser escolhido para um time importante da então Iugoslávia, surgem rumores de que o conflito entre bósnios (muçulmanos) e sérvios está prestes a estourar.
Mas o homem da história, Luka, por ingenuidade ou sei lá quê, não acredita na possibilidade de guerra e apóia a ida do filho para o “treinamento básico” do exército, que na verdade era já o campo de batalha. O garoto torna-se prisioneiro dos bósnios e, para trazê-lo de volta, um de seus colegas rapta uma muçulmana para que sirva de moeda de troca entre os dois povos. Ela fica hospedada na casa de Luka e os dois se apaixonam, em meio a dezenas de situações engraçadas e surreais, como um cavalo na cozinha e uma cama voadora (?).
Não sei definir o tipo de humor do filme, não é o de fazer piadinhas e sacadas rápidas, parece um negócio meio felliniano, com briga de família, mulher maluca e tal. Ao mesmo tempo é drama porque trata do barril de pólvora que se tornou a região dos Bálcãs nos anos 80 e de como cada povo encarava-se um ao outro.